BRILHANTE ADVOGADA, A TEMPO INTEIRO

Maria Isabel Barros Aguiar Pereira, nasceu no dia 13 de Fevereiro de 1968, em Gondomar.
Para a Xaninha e o Tónio, a sexta criancinha a alegrar um casamento feliz.
Linda e esperta, a olhar-nos com enormes olhos, muito vivos. Prometia!
Estava destinada a ser a minha afilhada, o que, naturalmente, muito me entusiasmava. Mas não seria... O convite mantinha-se firme, mas na data limite para a realização do baptismo - 15 dias após o nascimento, nem mais um dia, como mandava a tradição católica familiar - eu estava em Genebra, num curso do Instituto de Estudos do Trabalho da OIT, que se prolongou até fins de Abril. Não houve hipótese de alterar o destino.
Todavia, não perdi, verdadeiramente, a afilhada, porque sempre a considerei como tal. Só perdi esse três meses iniciais de convívio, que são os menos interessantes, na vida de um ser humano (na minha perspectiva, a de quem nunca teve filhos...).
Gosto dos pequeninos quando começam a revelar-se, e a perceber o que se passa à volta.
Esta menina era excepcional - e è!
Precoce em tudo! A falar, com frases completas e perfeita dicção. A cantar, afinadíssima e sem um lapso, em longas cantilenas. A dançar, incansável, com um talento que não viria a se aproveitado, nesse campo. Estou a vê-la, tão pequenina e graciosa, a agitar as ancas, em ritmo alucinante, no meio da sala de estar, da velha e agradável casa da Cónega. Ao som do "pick-up" do Tónio, que era também um apaixonado pela música.
Uma história que ficou célebre, e que é fácil de datar, porque aconteceu quando a Xaninha esperava a última filha, a Manela (estas duas irmãs, as mais novas, fazem diferença de pouco mais de dois anos ) :
A Isabelinha dizia a toda a gente que também estava grávida e "empinava" a barriguinha, para que parecesse grande e saliente. Nós achavamos - lhe imensa piada, mas a Xaninha não. Proíbiu-a de repetir a brincadeira. A minha Mãe, que gosta de provocar as criancinhas, perguntou-lhe, na visita seguinte à proibição, se o bébé dela estava a crescer muito, como o da Mamã. E ela, triste, explicava que não, que já não o tinha ... Mas, de repente, animou-se e continuou, noutro tom: "Não tenho o menino, mas tenho dois ratinhos na barriga! Estão agora a comer muito bem, com as colheres e um prato cor de rosa. Um está a ajudar o outro..." Prosseguiu, imparável, desenvolvendo um autêntico guião para desenhos animados...
Tinha , como vimos, dois anos, mais ou menos. Era mesmo especial. "The special one".
Foi uma aluna excelente - a única, numa "trupe" de cabulões. Inteligentes, mas não demasiado estudiosos, com gradações - as quatro raparigas completaram os seus cursos universitários, em devido tempo. Os rapazes, retomaram os estudos, recentemente, e andam, agora, a terminar as licenciaturas, e muito bem!
Depois do liceu, com notas a bater recordes, a Isabelinha seguiu a sua vocação jurídica, na Universidade Católica do Porto.
Fez o estágio e realizou o sonho de ser uma brilhante e dinâmica advogada, a tempo inteiro (é coisa em que eu, por exemplo, falhei totalmente - optando por um "centro de estudos", na função pública, e acabando por pedir a suspensão da inscrição na Ordem dos Advogados, após 5 anos de exercício muito intermitente e nada lucrativo...).
Esta minha experiência de vida, mais me faz admira-la . É tão bom, ver a nova geração ir mais longe do que nós!
Não consigo , em poucas palavras, completar o seu"retrato" , a menos que esgote uma lista de adjectivos encomiásticos...
Ela tem, hoje, 41 anos.
E é uma "promessa" cumprida - e que vai continuar a cumprir-se.
Alegre, enérgica, decidida.
Sempre pronta a avançar, a resolver os problemas dos outros, jurídicos, ou não, com humanidade, com seriedade. Com a capacidade de se indignar, de reagir contra as injustiças. De levantar a voz. De actuar!
Para além disso, sabe cuidar-se! Mantem a forma e a elegância, com longas caminhadas quotidianas, em passo rápido e com uma dieta sensata. A revelar força de vontade e tenacidade, sem se permitir avanços e recuos. E, claro,ainda canta e dança, maravilhosamente!
É a alma de qualquer festa, tão capaz de se divertir, como de trabalhar.
Se houvesse muitos mais portugueses assim, este País ía longe.
Parabéns, Isabelinha.














